Autor independente e as histórias na gaveta

O fundo da gaveta superior de uma escrivaninha numa casa do Jabaquara, zona sul paulistana, esconde uma obra inédita. Está lá um livro, de 120 páginas, ainda sem título. “É a minha história. E as pessoas só vão ler depois que eu não estiver mais aqui para contar”, diz a autora, Maria, 78.

Este é o primeiro parágrafo da matéria publicada na revista da Folha de São Paulo: Idosos escrevem autobiografias para serem lembrados por amigos e familiares.

O artigo cita duas pessoas que resolveram colocar no papel a própria história. Maria, de 78 anos, é uma professora aposentada que escreveu sobre a responsabilidade de criar os filhos e o prazer de lecionar. Mas ela não tem intenção de divulgar suas memórias, ao contrário de Clayton, 63 anos, um engenheiro químico que já registrou as recordações do trabalho no IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas), a convivência com a avó no sul de Minas e agora se dedica a época que passou na Freguesia do Ó.

autor independente

Autor independente

Estes são apenas dois exemplos num mar de escritores anônimos. Alguns deles de fato não têm vontade de deixar outras pessoas lerem o que registraram, nem mesmo a família. Mas, depois do que percebi após publicar meu primeiro livro independente, a grande maioria tem histórias engavetadas que gostaria de publicar. Para cada dez pessoas que eu mostrava meu livro, ou comentava sobre ele, nove me respondiam que tinham vontade de escrever e publicar ou, ainda, vontade de publicar uma história já escrita.

Ser um autor independente é uma grande aventura! E, pela minha experiência, é algo que as pessoas que têm histórias engavetadas deveriam experimentar, ao menos uma vez. Inúmeros grandes autores foram rejeitados por diversas editoras antes de terem seu primeiro livro publicado. J.K. Rowling foi rejeitada (veja aqui) e isso, na verdade, é uma das minhas maiores motivações. Não só com relação a escrever e publicar livros, mas na vida.

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