Enfim, publiquei meu livro!

Com sete anos descobri que nasci escritora. Foi assim, por acaso, em alguns poucos dias, observando minha irmã menor, que escrevi uma história sobre ela. Era uma brincadeira, algo que sem perceber, me mostrava o que estava escrito nas estrelas: escrever é a minha luz! Nesse momento eu ainda era muito nova para perceber isso, e se não fosse a sensibilidade de meu pai a me mostrar essa luz, talvez eu nunca soubesse.

Nas mãos dele, aquela brincadeira virou um livro. Ele fez ilustrações e mandou imprimir alguns exemplares que, na noite de Natal, foram dados para cada um da família, com direito à noite de autógrafos e caneta especial para eu escrever as dedicatórias.

paloma ferraz

Pronto! Meu destino estava confirmado. E naquela noite eu soube que queria escrever sem parar. Foram anos de treino, de incentivos e críticas. Familiares perguntando quando eu escreveria o próximo livro e eu querendo escrever um best-seller.

Passava meses sem escrever nada, e outros tentando escrever todo dia. Até que, em 2006, nasceu meu primeiro filho e me vi novamente como criança, percebendo um mundo novo, que eu já havia descoberto há décadas atrás, mas que agora eu enxergava através dos olhos do meu filho. E foi assim, observando ele, que escrevi uma história. Meu pai mais uma vez ilustrou lindamente e lá fui eu atrás de editora. Recebi muitos nãos e acabei fechando o livro em uma gaveta. Mas continuei escrevendo e alguns anos depois, mais uma história.

Mostrei novamente para meu pai, que me incentivou como sempre a prosseguir, mas ainda não era a hora, precisava de um pouco mais de coragem. E foi em 2015, após uma reviravolta em minha vida, que consegui me libertar do medo e deixei minha luz reacender. Resgatei a história esquecida em meio um monte de arquivos e segui em frente.

Três gerações em um livro

publiquei meu livroUni três gerações e a história sobre o filho, escrita pela mãe e ilustrada pelo avô foi publicada. Barulhos da Noite foi o meu primeiro livro publicado após eu me descobrir como escritora. Eu queria tirar ele da gaveta, então, publiquei de forma independente, sem o selo de uma grande editora, mas com o meu carimbo de aprovação. Reafirmei para mim o quanto me é essencial escrever. E desde então, mesmo que com passos lentos, não parei mais.

Publicar um livro de forma independente é uma experiência e tanto. Fora a satisfação de ver sua obra nascer, você acompanha o processo desde a escrita até a impressão. Conhecer todos os passos, além e trazer conhecimento maior sobre a produção de um livro, te torna mais íntimo da sua obra, mais “dono” da sua criação. É bagagem que ajuda a amadurecer e melhorar projetos futuros, que te possibilita enxergar partes do processo que antes não sabia da existência e agora, tendo esse conhecimento, passa a entender melhor a relação entre a ilustração e a escrita, entre a diagramação e a disposição das palavras e por aí vai.

Enfim, publicar é o que todo escritor deseja, seja com o selo de uma grande editora ou de forma independente, mas eu diria que da segunda maneira te torna mãe, pai, avó, avô tia, etc. da sua criação.

Seja de um jeito ou de outro, publique, pois escritos guardados na gaveta não recebem luz, então, deixe-os viver!

Veja meu outro artigo: escrever é ser!