As 22 regras de narrativa da Pixar

Quem não se lembra do ciúme de Woody com a chegada de Buzz Lightyear? Ou da procura por Nemo com a desmemoriada peixinha Dori? Ou dos olhos robóticos de Wall-E quando finalmente encontra companhia?

Quando nós, escritores, tentamos elencar grandes contadores de histórias, é fácil pensar em Machado, Guimarães, Homero, Tolkien, Rowling. Mas no ofício de criar personagens cativantes e colocá-los em situações memoráveis, poucos estão no nível dos estúdios Pixar, que vem lançando clássico atrás de clássico de animação nos últimos anos.

Mesmo se tratando de mídias diferentes, há muito o que aprender com esses caras. Pensando nisso, Emma Coats, funcionária da Pixar, divulgou em seu Twitter 22 pequenos pedaços de sabedoria narrativa que aprendeu trabalhando lá dentro. Vale a pena conferir abaixo.

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As 22 regras de narrativa da Pixar

1. Você admira um personagem mais por suas tentativas
que por seu sucesso.

2. Tenha em mente o que é interessante para o público e não o que é divertido fazer como escritor.
Eles podem ser bem diferentes.

3. Descobrir seu tema é importante, mas você não vai saber sobre o que a história é
até chegar ao final dela. Agora (re)escreva.

4. Era uma vez _____. Todos os dias, _____. Um dia, _____. Por causa disso, _____. Por causa disso, _____.
Até que finalmente
_____.
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5. Simplifique. Foque. Combine personagens. Pule sobre desvios.
Você vai sentir que está perdendo material valioso, mas isso te dará liberdade.

6. No que seu personagem é bom, no que é confortável?
Jogue o completo oposto para ele. Desafie-o. Como ele se sai?

7. Saiba qual é o final da história antes de descobrir o seu meio.
Sério, finais são difíceis, comece a trabalhar no seu o quanto antes possível.

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8. Termine sua história, deixe-a ir mesmo que não esteja perfeita.
Em um mundo ideal você vai ter as duas coisas, mas siga em frente. Faça melhor na próxima.

9. Quando estiver travado, faça uma lista de coisas que jamais aconteceriam a seguir
Muitas vezes o material que vai desbloquear a história aparece.

10. Estude as histórias que gosta. O que lhe faz gostar delas faz parte de você.
É preciso reconhecer o que é antes de poder usá-lo.

11. Pôr no papel permite que você comece a melhorar a história.
Se fica só na sua cabeça, mesmo que seja a ideia perfeita, você nunca vai poder compartilhá-la com ninguém.

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12. Descarte a primeira coisa que vem à cabeça. E a segunda, a terceira, a quarta, a quinta.
Tire o óbvio fora do caminho. Surpreenda a si mesmo.

13. Dê opiniões a seus personagens.
Passividade/maleabilidade podem parecer agradáveis a você enquanto escreve, mas são veneno para o público.

14. Por quê você precisa contar essa história? Qual a crença ardendo dentro de você da qual a narrativa se alimenta?
Esse é o coração da narrativa.

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15. Se você fosse o personagem, nessa situação, como você se sentiria?
Honestidade carrega credibilidade para inúmeras situações.

16. Quais são as apostas? Nos dê uma razão para torcer pelo personagem.
O que acontece se eles falharem? Coloque as chances contra eles.

17. Nenhum trabalho é desperdiçado.
Se não está funcionando, deixe ir e siga em frente. Ele vai voltar para ser útil mais para frente.

18. Você tem que conhecer a si mesmo: a diferença entre fazer o seu melhor e enfeitar.
Testar a história, não refiná-la.

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19. Coincidências que colocam seus personagens em situações difíceis são ótimas.
Coincidências para tirá-los delas são trapaça.

20. Exercício: desmonte os tijolos que constroem um filme que você não gosta.
Como você os montaria de novo para algo que gosta?

21. Você deve se identificar com a situação e seus personagens, não pode apenas escrever “cool”.
O que faria VOCÊ agir daquela maneira?

22. Qual é a essência da sua história? Qual a maneira mais econômica de contá-la?
Se você sabe, comece a construir a partir daí.

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Todas as imagens pertencem à Pixar Animation Studios e foram retiradas de www.pixar.com.

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