Bons livros infanto-juvenis: A Bolsa Amarela

Bons livros infanto-juvenis valem como experiência de leitura e de exemplo para escrita.

Eu tenho que achar um lugar pra esconder as minhas vontades… Nem sei qual das três me enrola mais. Às vezes acho que é a vontade de crescer de uma vez e deixar de ser criança. Outra hora acho que é a vontade de ter nascido garoto em vez de menina. Mas hoje tô achando que é a vontade de escrever.

Assim começa A Bolsa Amarela, livro de Lygia Bojunga, escritora brasileira de literatura infanto-juvenil, nascida em 1932, na cidade de Pelotas, Rio Grande do Sul.

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Reconhecimento de si

A história retrata um período da vida de Raquel, irmã mais nova em uma família de três filhos. A menina nos conta sua percepção sobre as limitações de sua idade e acredita que a solução é crescer rapidamente para ter liberdade de ir e vir. Enxerga também o SER menino muito mais vantajoso do que o SER menina: “…todo mundo tá sempre dizendo que vocês é que têm que meter as caras no estudo, que vocês é que vão ser chefes de família, que vocês é que vão ter responsabilidades, que – puxa vida! – vocês é que vão ter tudo”. E esconde sua vontade de escrever, pois sente sua família desdenhar de sua vocação.

Raquel trilha o próprio caminho entre o real e o imaginário, concluindo essa etapa na linha de chegada da próxima fase de seu desenvolvimento como pessoa. Uma história que fala sobre as mudanças internas acontecerem mesmo sendo o mundo externo forte influenciador em nossas vidas.

Indicação: 5 estrelas!

Me apaixonei pela Lygia Bojunga quando li A Bolsa Amarela. É uma leitura leve e muito bem-humorada, de criatividade ímpar! Apesar de dirigida para o público infantil e juvenil, a linguagem agrada adultos também.

Comprei o livro para ler com meu filho, assim passaríamos um tempo juntos, fazendo algo que gostamos: ler. Escolhi por pensar que seria interessante para ele, mas fiquei tão encantada quanto meu filho, esperando ansiosamente o dia seguinte para continuarmos a leitura. E agora que terminamos, que venha mais e mais bons livros infanto-juvenis de Lygia Bojunga!

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Para escritores

Lygia Bojunga retrata em A Bolsa Amarela a busca pré-adolescente por inserir-se como ser que é, afastando os valores transmitidos e apoiando-se em valores próprios. Esse processo é contado através de acontecimentos na vida da personagem Raquel com uma linguagem informal, própria do universo infanto-juvenil, o que considero o ponto alto da obra, pois dessa forma a autora cativa o leitor, que se identifica com a história.

Lygia usa o absurdo na medida certa, recriando o real: faz caber na bolsa amarela as vontades (que engordam e emagrecem), um galo fugitivo, uma guarda-chuva que fala e um alfinete de fralda que já não aguentava mais viver jogado. O galo é o único que entende a linguagem da guarda-chuva enguiçada, que todos querem desenguiçar. Com esses personagens – e mais alguns – Raquel vai lidando com suas vontades, se descobrindo e a história se desenrolando. E Lygia coloca em prática, com muita naturalidade, aspectos fundamentais da escrita para o público ao qual se destina o livro.

Vale observar expressões de criatividade ímpar, que dão ritmo divertido e leve à obra:
“Me botaram num quartinho escuro. Tão escuro que quando saí de lá tava todo preto.” (pág. 36).
“E ninguém viu que você era um galo fugido? Eu tava de máscara.” (pág. 38)

Para quem escreve – ou quer escrever – A Bolsa Amarela é excelente fonte de estudo, inspiração e aprendizado sobre a arte da escrita.

Leia também: Inspiração: cartas de uma boneca à sua menina.

Ficha técnica

a bolsa amarelaAutor: Lygia Bojunga
Título: A Bolsa Amarela
Editora: Casa Lygia Bojunga
Data de publicação: 2016 (35ª edição, 28ª reimpressão)
Número de páginas: 140
Preço médio: R$ 25,00

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