Por que escrever? Confira alguns motivos inspiradores

Sri Prem Baba, em seu livro Propósito, afirma que uma forma simples, mas muito poderosa, de iniciar o processo de identificação do seu propósito de vida é fazer uma pergunta a si mesmo: “Se eu não tivesse que me preocupar com dinheiro; se não tivesse que agradar a ninguém, o que eu estaria fazendo? Onde eu estaria neste momento?”

Se você respondeu “na frente do computador escrevendo livros” – mas ainda não está colocando isso em prática – confira abaixo motivos para escrever compartilhados por autores famosos. São declarações honestas e apaixonadas que nos oferecem uma visão íntima de escritores renomados – seus processos, suas filosofias de vida e seu humor. Será que eles te inspiram?

Motivos para escrever

George Orwell

motivos para escrever

O escritor, jornalista e ensaísta político inglês, nascido na Índia Britânica, crê que existem quatro motivos para escrever: egoísmo puro, entusiasmo estético, impulso histórico e propósito político. “Eles existem em diferentes graus em cada escritor e em qualquer escritor as proporções variam de vez em quando, de acordo com a atmosfera em que ele está vivendo”, afirmou. Orwell, nascido Eric Arthur Blair, foi colocado pelo The Times em segundo lugar em uma lista de “Os 50 maiores escritores britânicos desde 1945. “Eu fiz parecer que meus motivos na escrita eram inteiramente espirituosos. Não quero deixar isso como a impressão final. Todos os escritores são vaidosos, egoístas e preguiçosos e no fundo de seus motivos há um mistério”, disse. Como bom britânico, ele pode ter dito isso ironicamente, não?

 

Neil Gaiman

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“Uma criança selvagem que foi criada nas bibliotecas”. É assim que Gaiman se descreve. “Eu não seria quem sou sem bibliotecas”. O autor britânico de contos, romances, histórias em quadrinhos e até livros infantis está listado no Dicionário de Biografia Literária como um dos dez melhores escritores pós-modernos vivos.

Ele diz que aprendeu a escrever escrevendo. “Eu tendia a fazer qualquer coisa, contanto que a sentisse como uma aventura, e tendia a parar quando a sentia como trabalho, o que significava que não sentia a vida como um trabalho”, afirmou. E sobre motivos para escrever ele diz: “A melhor coisa sobre a escrita de ficção é aquele momento em que a história pega fogo e ganha vida na página. E, de repente, tudo faz sentido e você sabe sobre o que é e por que você está fazendo isso e o que essas pessoas estão dizendo e fazendo, e você consegue se sentir o criador e o público. Tudo, de repente, é óbvio e surpreendente… e é mágico, maravilhoso e estranho”.

 

Ernest Hemingway

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O escritor norte-americano, ganhador do Prêmio Pulitzer de Ficção (1953) e do prêmio Nobel de Literatura (1954), resumiu sua escrita nesta declaração: “Meu objetivo é colocar no papel o que eu vejo e o que eu sinto da maneira melhor e mais simples possível”. Suas afirmações sobre a escrita são simples, o que não significa – necessariamente – que ele visse o processo em si dessa forma. Essa conclusão veio desta frase: “Não há nenhuma regra sobre como escrever. Às vezes vem facilmente e perfeitamente; às vezes, é como perfurar rocha e, em seguida, explodir com as cargas.” E, eventualmente, desta: “Escrever não é nada demais. Só o que eu faço é me sentar à máquina de escrever e sangrar.”

Para aliviar um pouco, uma fala de Hemingway com um certo humor britânico: “Não é da conta de ninguém que você tenha que aprender como escrever. Deixe-os pensar que você nasceu assim.”

 

J.K. Rowling

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Uma esforçada mãe solteira que escrevia em cafés. Seu manuscrito foi rejeitado várias vezes até que, finalmente, alguém decidiu dar uma chance ao bruxo favorito de muita gente. E Rowling tornou-se a autora da série Harry Potter, publicada entre 1997 e 2007. Os sete livros venderam mais de 500 milhões de cópias em todo o mundo, estão distribuídos em mais de 200 territórios e foram traduzidos para 80 idiomas. Além disso, foram transformados em oito filmes de grande sucesso.

Isso inspira qualquer um, não? Mas o que ela diz sobre escrever? “Você tem que se resignar a desperdiçar algumas árvores antes de escrever algo realmente bom. É assim. É como aprender um instrumento. Você precisa estar preparado para tocar notas erradas ocasionalmente, ou com frequência. Isso é apenas parte do processo de aprendizagem. E leia muito. Ler muito ajuda realmente. Leia qualquer coisa que você puder.” Sobre a magia ela diz: “Realmente não sei de onde as ideias vêm e espero nunca descobrir; isso estragaria a minha empolgação ao acabar de perceber uma pequena e engraçada rugida na superfície do meu cérebro, o que me faz pensar em plataformas de trem invisíveis”.

Pela aventura, pela magia – ou pela sanidade

De forma séria – eventualmente depressiva – ou com espírito de aventura e uma pitada de magia, deu pra sentir que os escritores colocam a caneta no papel – ou os dedos no teclado – para si mesmos. Nem tanto pelo egoísmo puro destacado por George Orwell, mas pela própria saúde mental. Como afirmou Judy Blume: “Aqueles de nós que escrevem, fazem isso porque há histórias dentro de nós queimando para sair. Escrever é essencial para o nosso bem-estar”. Ou, como Lord Byron confessou: “Se eu não escrever para esvaziar minha mente, fico louco”. Bons motivos para escrever, não?

Voltando ao questionamento de Sri Prem Baba no início do texto, Gloria Steinem respondeu assim: “Escrever é a única coisa que, quando estou fazendo, não sinto que deveria estar fazendo outra coisa”.

Eu, que confio na Grande Magia descrita por Elizabeth Gilbert em seu livro, fico com uma das fantásticas frases de Franz Kafka:

“Acreditando apaixonadamente em alguma coisa que ainda não existe, nós a criamos.”

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