Livro infantil – vamos falar de coragem?

Levanta a mão quem nunca desistiu de algo que ama fazer porque faltou coragem para encarar (eventuais) rejeições e assumir a paixão. Agora, levanta a mão quem pensa que essa bravura é algo que pode (e deve) ser estimulado desde a tenra idade. Legal! Para vocês, tenho um livro infantil delicioso para indicar – para crianças e adultos, sem preconceito de idade!

Ana podia pegar qualquer coisa e transformá-la em algo diferente! Ela catava o que as pessoas jogavam fora… coisas esquecidas, coisas enferrujadas. Ana pegava um pedaço de arame retorcido, esticava, prendia um trapo colorido nele e o transformava em uma pipa empinada ao vento. Mas os habitantes da cidade só gostavam do que era comum, prático e conhecido.

livro infantil

É assim que começa a encantadora história de Stephen Michael KingAna, Guto e o Gato Dançarino. Comprei esse livro pois uma amiga ilustradora me contou um pouco sobre o autor – e ilustrador – australiano. Fiquei curiosa, pesquisei e descobri que ele é uma pessoa inspiradora! A Livraria da Folha publicou uma entrevista com o artista que começa assim: “Stephen Michael King, apesar de adulto, adora a traquinagem e as cores do mundo infantil. Desde criança gostava de escrever e desenhar e, aos 47 anos, continua a amar o que faz.”

Fui atrás de seus livros – na minha conta 62 em inglês, 21 traduzidos para o português – e escolhi Ana, Guto e o Gato Dançarino por causa do gato, confesso. Mas realmente não fazia ideia da surpresa que me aguardava ao abrir as primeiras páginas. Se você digitar Stephen Michael King no Google e escolher ver as imagens, terá uma ideia de seu traço, das ilustrações que já fez, das cores que usa. Mas isso não se compara a ter o livro nas mãos e mergulhar em uma história fabulosa!

A magia do livro infantil

Ana, a protagonista da história, passava os dias fazendo sapatos marrons, sapatos pretos e simples botinas de trabalho. Era isso que as pessoas precisavam, era comum, prático. E à noite, ela sonhava que tinha coragem suficiente para mostrar a todos o que realmente sabia fazer. O que ela mais amava. Até que Guto e o Gato Dançarino chegaram na cidade e encontraram Ana – um daqueles encontros mágicos, que todos precisamos para que algo desperte em nós. Então a música, a dança, a amizade, a brincadeira fizeram com que Ana se sentisse corajosa e livre. E a história segue com uma leveza encantadora.

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As ilustrações são delicadas, sensíveis e cheias de vida. Mostram amigos que compartilham medos e talentos, que se motivam, que se divertem e descobrem sua própria coragem na alegria de estar juntos, de ser autênticos e libertar a imaginação. Tudo isso num livro infantil.

Ana, Guto e o Gato Dançarino na Estante Virtual.
Ana, Guto e o Gato Dançarino no Buscapé.

O próprio ilustrador inspira a ter coragem de seguir seu propósito e fazer o que ama, uma vez que escrever e desenhar foi uma das maneiras que ele encontrou para expressar-se, pois ficou parcialmente surdo por volta dos nove anos. Confira a entrevista exclusiva que fiz com ele aqui.

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Escreve – ou quer escrever – para crianças?

Escrever um livro infantil é algo tão sério como escrever para adultos, disse Silvia Adela Kohan em seu livro Escrever para Crianças. No entanto, o trabalho de pesquisa para os artigos deste blog tem me mostrado que a motivação para escrever de diversos autores – de diversos gêneros literários – é o prazer pessoal. Anais Nin disse:

Por que as pessoas escrevem? Posso responder facilmente, já que fiz essa pergunta a mim mesma inúmeras vezes. Acredito que as pessoas escrevem para criar um mundo em que possam viver. Não consegui viver em nenhum dos mundos que me foram oferecidos: o mundo dos meus pais, o mundo da guerra, o mundo da política. Tive que criar meu próprio mundo, como um clima, um país, uma atmosfera na qual pudesse respirar, reinar e recriar a mim mesma quando a vida me destruísse. Essa, creio, é a razão para toda obra de arte. […] Escrevemos para aprender a falar com os outros, para registrar nossa jornada no labirinto. Escrevemos para expandir nosso mundo quando nos sentimos estrangulados, oprimidos ou solitários. Escrevemos como os pássaros cantam, como os primitivos dançam seus rituais. Se você não respira através da escrita, se você não grita ou canta por escrito, então não escreva porque sua literatura será inútil.

Para escrever para as crianças é preciso saber entrar em contato com sua própria criança, seu imaginário infantil, e vivê-lo enquanto coloca as palavras no papel. Numa brincadeira de faz de conta. Para ficar feliz, ok? Ficar feliz, como disse Stephen Edwin King.

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2 Comments

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