Stephen Michael King – entrevista exclusiva e inspiradora

Imagine duas crianças tomando sorvete juntas, sem adultos por perto. Apenas uma conversa, risadas, brincadeiras e, claro, o sorvete. Foi dessa forma que me vi fazendo esta entrevista exclusiva com o incrível autor e ilustrador australiano Stephen Michael King!

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Quando estava escrevendo a resenha do livro Ana, Guto e o Gato Dançarino fui xeretar no site e na página do Facebook de Stephen. Foi quando o botão ‘Enviar Mensagem’ da página brilhou. Pensei: por que não? Coloquei meu recado na garrafa, soltei no mar e fiquei esperando que ela chegasse em uma ilha da costa leste de Nova Gales do Sul, Austrália. Não só chegou como voltou!

Quando pedi uma entrevista exclusiva, eu realmente quis dizer isso: exclusiva. Então, depois que ele concordou, tratei de fazer a lição de casa: Stephen colocou em seu site muitas informações sobre ele, inclusive respostas para as várias perguntas já feitas em diversas entrevistas. Portanto, para as questões básicas do tipo o que fez ele começar a desenhar, como é seu processo criativo, qual foi o livro que ele mais gostou de ilustrar, qual o personagem favorito e conselhos para quem quer publicar um livro as respostas estão todas lá (em inglês, mas o tradutor do Google pode dar uma mãozinha). Aqui você vai conhecer Sking (seu apelido na escola) de um jeito diferente, com perguntas que não estavam naquela lista e com respostas coloridas, emocionantes, ensolaradas, fascinantes!

Divirta-se!

stephen michael king

O que coragem significa para você?

Eu não penso em coragem com frequência. Sendo um artista, é mais provável que eu esteja pensando em nuvens, o azul do céu ou observando como uma folha dança no ar antes de tocar o chão. Admiro pessoas que se desafiam a ser melhores, pessoas que gentilmente se erguem sem pisar em ninguém abaixo delas, como Mahatma Gandhi ou meu Pai. Meu Pai teve uma infância problemática, mas se transformou em um homem gentil, sensível, forte e inspirador.

Me vejo como uma pessoa forte, mas também gentil e quieta. Não sei se me chamaria de corajoso. Enfrentei obstáculos na minha vida, às vezes diretamente, mas ocasionalmente escolhi alegremente contorna-los ao invés de encará-los de frente. Eu diria que ser verdadeiro comigo mesmo tem sido um impulso que pode parecer corajoso, mas provavelmente é mais um interesse pelo desconhecido, uma curiosidade por descobrir o que está escondido dentro de mim. É como um toque que não se apaga.

stephen michael king

Não ser capaz de fazer o que se ama parece ser a pior de todas as limitações. Você tem uma dica, um conselho, um tapinha nas costas para ajudar a se libertar?

Não consigo explicar minha motivação para ser criativamente expressivo ou minha necessidade de ser verdadeiro comigo mesmo, mas isso tem estado comigo desde sempre. A verdade é que eu não penso que poderia ter sido de outra forma… minha intuição sempre foi meu guia. Sempre fiquei mais feliz com a ideia de ser um artista vadio e livre do que bater cartão em uma empresa. Mas, respondendo à questão, algumas vezes é preciso dar um passo para trás antes de mover-se para frente, parar alguma coisa, desistir de algo, confiar em você mesmo! Se o que está fazendo não parece certo então provavelmente não é. Acredito que é igualmente importante parar e dizer não assim como persistir e dizer sim. E, finalmente, seus sentimentos são seu verdadeiro guia.

Como você percebe – e lida – com sua intuição?

Ela cuida de si mesma… é grande. Minha intuição e eu somos amigos; nossa relação começou bem cedo. Conversamos todos os dias. Ela fala a maior parte do tempo, mas fico feliz em escutar. Quando ela grita é porque estou no caminho errado… se é uma descida íngreme, ela se mostra como uma presença física. Quando estou em meu verdadeiro caminho simplesmente me sinto leve, rápido, livre e em harmonia com o mundo.

Se pudesse alcançar todas as crianças do mundo agora, qual seria sua mensagem?

Não sei se tenho uma mensagem… é por isso que continuo escrevendo livros. Muitas de minhas mensagens se escondem em meus livros: o mundo é um lugar extraordinário e colorido; siga sua intuição; confie no que seu coração está te dizendo. Quando estiver triste ou incomodado com acontecimentos ou pessoas apenas sinta o quão delicioso é o sol, ou a lua… ou a chuva ou um alegre cachorro vira-lata… o quão maravilhoso é mexer os dedos dos pés. Mesmo em dias muito, muito sombrios, pequenas pitadas de felicidade podem entrar sorrateiramente.

stephen michael king

Nos dê sua versão de por que as pessoas escrevem (ou desenham, ou pintam, ou dançam, ou compõem música!)

Eu desenho, pinto e aconteço porque eu tenho que fazer isso. A perda auditiva que sofri na infância fechou os canais normais de comunicação, então desenhar se tornou minha linguagem preferida. Eu era mudo e quieto, mas meus personagens podiam ser coloridos e livres. Minha escrita, meus personagens e livros são mais versões coloridas de mim mesmo e do mundo ao meu redor. Não sou diferente da maioria dos escritores, escrevo para que o mundo faça sentido, para que eu faça sentido, para entender meu lugar no espaço. Cada livro é uma jornada para mim e, às vezes, uma premonição de para onde irei ou o que está por vir: minhas esperanças e sonhos subconscientes. Se eu não fosse um autor publicado ou um artista em atividade, ainda assim escreveria, pintaria e faria acontecer… é o que eu sou.

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Stephen Michael King – an exclusive and inspiring interview

Imagine two kids going out for an ice cream, no adults arround. Just talking, laughing, playing and, of course, enjoying the ice cream. That’s how I saw myself asking exclusive questions to the amazing australian author and ilustrator Stephen Michael King!

When I was writting the Milli, Jack and The Dancing Cat book review I was sneaking on his website and Facebook page when the ‘Send Message’ button flashed. Why not, Lucia thought. I sent my message in a bottle and waited for it to get to a coastal island in the Manning Valley of New South Wales, Australia. It did and came back!

When I asked for an exclusive interview I meant it. So I did my homework: Stephen has on his website lots of information about him, including many answers to many questions he’s been asked. Therefore if you want to know about what prompted him to sit down and write his first story, his creative process, what is his favourite thing to draw, which one is his favourite character and an advice to someone looking to get a book idea published the answers are there. Here you are going to know about Sking (his nickname at school) in a different way, with never asked questions and colorful, exciting, sunny and enchanting answers!

Enjoy!

What does courage mean to you?

I don’t think about courage all that often. Being an artist, I’m more likely to be thinking about clouds, the blue of the sky or observing how a leaf floats before touching the ground. I admire people who challenge themselves to be better, people who gently rise without treading on anyone below them, like Mahatma Gandhi or my Dad. My Dad had a troubled childhood, but he grew to be a gentle, sensitive, strong and inspiring man.

I see myself as strong but also gentle and quiet. I don’t know if I would call myself courageous. I’ve had obstacles in my life that I’ve had to face, sometimes directly, but on occasion I’ve happily chosen to meander around them instead of meeting them head on. I think I’d say that being true to myself has been a drive that occasionally looks courageous but is probably more an interest in the unknown, a curiosity for discovering what’s hiding within me. It’s like a tap that won’t turn off.

stephen michael king

Not being able to do what one loves is (I feel) the worst constriction of all. Do you have a tip, an advice, a pat on the back to help set them free?

I can’t explain my drive to be creatively expressive or my need to be true to myself, but it has been with me forever. Truth is, I don’t think there was ever going to be another way . . . my intuition has always been my guide. I was always happier with the idea of being a free vagabond artist than working a nine to five job. But in answer to your question, sometimes you have to take a step backward before you can move forward, stop something, quit something, trust in yourself! If what you’re doing doesn’t feel right then it quite probably isn’t. I believe it’s equally as important to stop and say no as it it is to persist and say yes, and ultimately your feelings are your true guide.

How do you perceive (and deal with) your intuition?

It looks after itself . . . it’s big. My intuition and I are friends; our relationship started from an early age. Everyday we talk to each other. It does most of the talking, but I’m happy to listen. When it’s loud I’m on the wrong path . . . if it’s a steep downhill path it shows as a physical presence. When I’m on my true path, I simply feel light, fast paced, free and in harmony with the world.

stephen michael king

If you could reach all the children in the world now, what would be your message?

I don’t know if I have one message . . . that’s why I keep writing books. Most of my messages sneak into my books: the world is a wonderful, colourful place; follow your intuition; trust in what your heart is telling you. When you’re sad or troubled by events/or people, just think about how delightful the sun is, or the moon . . . or the rain or a happy stray dog . . . how wonderful it is to wiggle your toes. Even on dark, dark days, little sprinkles of happiness can sneak in.

Give us your version of why do people write (or draw, or paint, or dance, or compose a song!)

I draw, paint and make because I have to. Hearing loss at school had closed normal channels of communication, so drawing became my preferred language. I was muted and quiet, but the characters I created could be colourful and free. My writing, characters and books are more colourful versions of myself and the world around me. I’m no different from the majority of writers, I write to make sense of the world, make sense of myself, to understand my place in space. Each book is a journey for me and at times a premonition of where I will go or what is to become: my subconscious hopes and dreams. If I wasn’t a published author or a working artist, I would still write, paint and make to communicate . . . it’s who I am.

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