6 segredos para ser mais criativo

O dicionário define criatividade como inventividade, inteligência e talento, natos ou adquiridos, para criar, inventar, inovar, quer no campo artístico, quer no científico, esportivo etc. Neste blog voltado para escritores e pessoas que sonham em publicar um livro cabe a pergunta: quem não quer ser (mais) criativo?

criatividade

A escritora Carolyn Gregoire, especializada em saúde, psicologia e espiritualidade, publicou um artigo em 2014 intitulado 18 things highly creative people do differently (18 coisas que pessoas altamente criativas fazem diferente, em tradução livre) baseado no trabalho do psicólogo Scott Barry Kaufman, diretor científico do Instituto de Imaginação no Centro de Psicologia Positiva da Universidade da Pensilvânia. Em seu texto, ela diz que a criatividade pode surgir – ou ser estimulada – a partir de algumas práticas e comportamentos que aguçariam a intuição e aumentariam a inspiração na hora de ter ideias.

O artigo viralizou e fez com que Carolyn procurasse Kaufman para expandir o artigo em um livro, lançado em dezembro de 2015: Wired to create: unraveling the mysteries of the creative mind (Enrolado para criar: desvendando os mistérios da mente criativa, em uma tradução livre – o livro ainda não foi publicado no Brasil).

Kaufman tem algumas dicas – bem interessantes e fáceis – para despertar a criatividade e ser mais inovador, o que também pode levar a uma vida mais feliz e significativa. Vejamos:

Estar aberto a novas experiências

Kaufman diz:

Até agora, meus dados sugerem que “abertura à experiência” é a primeira coisa a se cultivar, tanto para a criatividade pessoal significativa quanto para a criatividade que muda o mundo. Isso significa desafiar-se constantemente para além de sua zona de conforto, questionar pressupostos, ser intelectualmente curioso e apreciar a beleza. O crescimento pessoal está intimamente ligado à abertura à experiência.

Em outras palavras: ser receptivo à experiências novas e incomuns que nos tiram do modo normal de ver o mundo. Segundo o psicólogo, isso realmente aumenta a flexibilidade cognitiva, que é uma parte essencial da criatividade.

Sair para uma caminhada

Nossas ideias mais criativas não costumam aparecer quando estamos conscientemente focados no problema. Grandes insights vêm através da interação com as pessoas, ganhando experiências e permitindo que a mente faça conexões. Existem várias maneiras de deixar essas conexões inconscientes chegarem à consciência e entrar em contato com a natureza e o movimento são realmente importantes.

Dizem que Tesla teve a ideia de alternar as correntes elétricas durante um passeio. E Nietzsche afirmou que todos os grandes pensamentos são concebidos a pé. De qualquer forma, essa dica, além de estimular a criatividade, faz bem para a saúde.

Tomar banho

É algo legal a se fazer depois de uma caminhada, não? A questão aqui é que, segundo pesquisas, há uma forte relação entre sentir-se relaxado e ser criativo. Kaufman descobriu que 72% das pessoas têm novas ideias no chuveiro – na verdade, com muito mais frequência do que quando estão no trabalho. O psicólogo comenta:

Fizemos esse estudo internacional e descobrimos que mais pessoas relataram ter grandes insights no chuveiro do que no trabalho. Desconcertante, eu acho. Definitivamente há alguns benefícios em estar relaxado.

Woody Allen parece concordar:

No chuveiro, com a água quente descendo, você deixa o mundo real para trás e, com muita frequência, as coisas se abrem para você. É a mudança de local, o deixar de forçar as ideias que estão te incapacitando quando você está tentando escrever.

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Ter um tempo com você mesmo

Nossa cultura desvaloriza e não entende a solidão no sentido de isolamento, de procurar ficar sozinho. No entanto, a tranquilidade da solidão intencional favorece o surgimento de ideias mais criativas. Veja o que diz Kaufman:

Os neurocientistas descobriram uma região do cérebro chamada de “rede de modo padrão”, mas nos referimos a ela como “rede de imaginação” no livro. O isolamento é bom em estimular essa rede. Fazer uma pausa extra para refletir, voltar-se para dentro e procurar sentido para as próprias experiências acaba sendo um bom impulsionador para a compaixão e também para a imaginação.

No livro, Kaufman e Carolyn afirmam que, de acordo com pesquisas, as pessoas criativas frequentemente procuram o isolamento para gerar novas ideias interessantes, e então recorrem à colaboração para transformá-las em um conceito ou produto coerente.

Ser “estranho”

Já se especulou a conexão entre loucura e criatividade. Kaufman diz que não é preciso estar pirado para ser criativo, mas há algum fundamento na especulação. No livro ele escreve:

Barron e Donald MacKinnon descobriram que o escritor criativo médio estava entre os 15% da população geral em todos índices cobertos em um teste de psicopatologia. Mas, há uma pegadinha: eles também descobriram que os escritores criativos alcançaram notas altas nos índices de saúde psicológica.

A ideia é pensar como um estranho, como alguém que nunca fez o que você está acostumado a fazer para criar uma mudança de perspectiva que gire as engrenagens da inovação em sua cabeça. Kaufman comenta:

Mesmo dentro da sua área de atuação você pode aproveitar a mentalidade de um estranho, de modo que se certifique de que suas ideias e as coisas nas quais está trabalhando realmente vêm de sua própria identidade e sistema de valores. Pessoas criativas são realmente boas em ver além das tradições de seu campo para um horizonte diferente.

Uma maneira de fazer isso é pensar como uma criança. Elas estão sempre tentando coisas novas e abordando situações de maneira diferente, o que as torna inventivas e criativas.

Continuar tentando

Pesquisas mostram que mais tentativas levam a mais criatividade. Nas palavras de Kaufman:

Os maiores gênios criativos de todos os tempos demonstraram ter criado a maior quantidade de coisas em sua vida. Quanto mais você faz, maior sua chance de, eventualmente, produzir uma obra-prima.

Às vezes temos que tentar, tentar e tentar até descobrir o que queremos fazer. Citando Bill Watterson, criador de Calvin e Haroldo:

A verdade é que a maioria de nós só descobre para onde está indo quando chega lá.

Uma vida mais feliz

No livro, Kaufman também afirma que as pessoas que têm esses hábitos relatam uma maior sensação de bem-estar e crescimento pessoal em comparação com aquelas que estão menos engajadas nesses comportamentos criativos cotidianos. Albert Einstein brincou dizendo que criatividade é a inteligência se divertindo. Kaufman assina embaixo: outro estudo seu demonstra que pessoas criativas têm o hábito de se divertir em seu dia a dia, e esse costume de cultivar o bom humor e brincadeiras pode revolucionar a maneira como nosso cérebro trabalha. Bom humor e diversão levam a bem-estar.

E para quem pensa que criatividade, brincadeira e bom humor são só para quem está no mundo das artes, o roteirista Andrew Kevin Walker dá um recado:

Da mesma forma que há uma arte para criar pranchas de surf ou uma arte para projetar carros, há uma arte para bombear gasolina ou ser um lixeiro. Não importa o quanto você está sendo pago ou o que você está fazendo como carreira, você precisa abraçar arte de fazer o que faz e não ter medo do artista em você… Encontre a arte em tudo que você faz.

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Baseado no artigo How To Be Creative: 6 Secrets Backed By Research, de Eric Barker.

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