Deixe uma criança te inspirar: Giulia Sigel

Quem escreve sabe que essa não é uma tarefa fácil. Mas publicar um livro é uma história à parte, que exige muita coragem. Depois de suar com muito trabalho duro, embebido em determinação para conseguir escrever, surge a grande dúvida: publicar ou engavetar?

Enquanto publicar é se expor, aguentar calado o julgamento alheio, se despir no meio da rua para receber críticas – sejam elas boas ou ruins – engavetar significa abrir mão de dar continuidade a todo trabalho realizado ou simplesmente não querer compartilhar o que estava dentro de si e transbordou para o papel. Mas porque desistir?

Refleti sobre isso e concluí que o medo é o que impede a finalização do trabalho.

A pergunta feita a si mesmo com os originais na mão – Será que vão gostar? – representa o medo de se expor. Então, publicar demanda coragem para seguir em frente, mesmo que esse seguir esteja permeado de medo. Mas como conseguir essa tal coragem?

A resposta a essa pergunta surgiu de uma conversa inspiradora com a jovem escritora Giulia Sigel que, em poucas palavras, demonstrou o quanto é simples fazer algo que realmente se quer. Realizar os próprios sonhos é fazer algo para nós mesmos admirarmos, o que torna o processo livre, pois o julgamento alheio não importa.

E assim, flui o publicar, pois é parte do processo. As crianças sabem bem como não ter medo da opinião dos outros, pois para elas o mais importante é fazer para si; depois pode até ser que pensem se agradaram ou não aos outros, mas nesse momento, o “trabalho” já está feito.

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Escute e observe as crianças: elas mostram como caminhar

Devo confessar que a conversa com Giulia me lembrou de quando eu tinha sete anos e resolvi escrever um livro. Escrevi porque deu vontade e pronto. Era uma brincadeira divertida; não estava preocupada se iriam gostar, eu estava fazendo aquilo por mim, queria realizar minha ideia porque me pareceu algo legal – tudo assim, simples, como uma criança.

A menina Giu escreveu seu livro aos nove anos; uma menina determinada e consciente do que quer. O livro Histórias da Giulia foi lindamente ilustrado por ela mesma, que contou com o apoio da família e da escola para publicar a obra de forma independente. Em uma breve conversa, me mostrou com naturalidade como realizar os próprios sonhos que se iniciam num simples QUERER!

Como surgiu a ideia para escrever um livro?

Eu gostava de ler livros e um dia falei para meu pai:
– Pai, eu não quero ler o livro dos outros, eu quero ler os meus livros. Daí eu tive a ideia de fazer o livro.
São várias histórias. Cada vez que eu queria escrever alguma coisa, eu escrevia. Não pensei “eu vou fazer uma história”, fui escrevendo, assim foi indo.

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Como foi o processo de escrever o livro?

Na verdade, não deu muito trabalho, mas demorou bastante para terminar. Mesmo assim eu nunca pensei em desistir.

O livro foi lançado em algum evento?

Sim, na Feira do Livro da minha escola. A minha professora me apoiou muito e meus amigos acharam o máximo! Quase todo mundo comprou. Eu também tive (e tenho) muito apoio do meu pai, da minha mãe e minha irmã.

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Você quer escrever outro livro?

Gosto muito de escrever, mas prefiro ilustrar. Desenho quase todos os dias. Quero fazer uma venda de quadros e ilustrações, uma exposição dos meus desenhos. Já coloquei alguns no Instagram.

Para publicar precisa de coragem?

Acho que sim, porque a gente fica com medo de que não gostem do livro, que achem ruim. Isso bloqueia as pessoas, então não publicam. Eu tive bem pouquinho medo.

Você poderia deixar uma mensagem para inspirar as pessoas?

As pessoas devem seguir os próprios sonhos, o que importa é opinião delas e não a dos outros!

Então, realize como uma criança! No mundo infantil realizar o que se gosta é natural e o que se gosta de fazer não fica inacabado. Quando é deixado pela metade é porque deixou de se ser divertido.

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