Livro infantil – imaginação e a cabeça nas nuvens

A delicadeza e a sensibilidade do livro infantil me encanta! Quando vou a uma livraria, adoro encher os olhos com as cores, o inusitado dos títulos, a diversidade de formas e a beleza das ilustrações dessas pequenas grandes publicações criadas para crianças. Volto no tempo e, com a leveza da infância, viajo nas histórias escondidas nas páginas.

O que chamou minha atenção no livro que tenho em mãos agora foi a ilustração da capa, seguida do complemento do título. Entre Nuvens, de André Neves, me apresentou um autor e ilustrador brasileiro nascido em Recife que faz o que eu gostaria de estar fazendo: dedicando-me exclusivamente ao universo dos livros para a infância. Ele “escreve, ilustra e vive com a cabeça nas nuvens, em busca de formas de desenvolver a leitura”. É o que diz a última página de Entre Nuvens.

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O sorriso do livro infantil

A personagem principal da história, que vivia admirando o céu, é a primeira a perceber que as nuvens pararam sobre a cidade. Ela, que sonhava ser como um pássaro e ter uma nuvem só para si, tratou logo de subir na montanha mais alta daquele lugar. Lá morava um menino que não achava graça nenhuma em olhar para o céu. Mas o sorriso da menina o encantou de tal forma que ele só queria vê-la sorrir sempre.

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Como todo bom livro infantil, Entre Nuvens dá margens a interpretações e abre portas para conversas. O desenrolar da história não define um fim, pelo contrário. Permite que se crie outras histórias, infinitos finais ou recomeços. Como disse o autor, os livros nascem de sonhos. Esse é o encantamento da literatura para crianças.

As ilustrações de André são ricas, coloridas, com um traço marcante e peculiar. Chamam para uma viagem junto com os personagens e aguçam a imaginação.

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Entre Nuvens na Estante Virtual
Entre Nuvens no Buscapé

Escrever para crianças

Isaac Bashevis Singer (1902-1991), escritor nascido na Polônia, mas que viveu muitos anos nos Estados Unidos, ganhador do Nobel de Literatura de 1978, também escreveu para crianças. Ele listou 10 itens para responder à pergunta “por que comecei a escrever para crianças”:

1) Crianças leem livros, não leem resenhas de livros. Elas estão se lixando para as críticas.
2) Crianças não leem para descobrir a própria identidade.
3) Elas não leem para se libertar da culpa, para saciar sua sede de rebelião, ou para se livrar da alienação.
4) Elas não veem utilidade na psicologia.
5) Elas detestam sociologia.
6) Elas não tentam entender Kafka ou o “Finnegans Wake”.
7) Elas ainda acreditam em Deus, família, anjos, demônios, bruxas, goblins, lógica, clareza, pontuação, e outras coisas obsoletas.
8) Elas gostam de histórias interessantes, e não de comentários, guias de leitura ou notas de rodapé.
9) Quando um livro as entedia, elas bocejam abertamente, sem nenhum constrangimento e sem medo de alguma autoridade.
10) Elas não esperam que seus escritores mais queridos salvem a humanidade. Jovens como são, elas sabem que eles não tem esse poder. Somente os adultos mantêm ilusões tão infantis.

Por isso, também, que a literatura infantil me encanta!

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